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O que significa ser negro lbgt no Brasil?

Publicado por Andre Jorge Bueno em

O que significa ser negro LBGT no Brasil?

No dia 20 de novembro comemoramos a Consciência Negra no Brasil. A data é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. O Blog EternamenteSou conversou com algumas pessoas que estão em seu lugar de fala para entender o que significa ser negro LBGT no Brasil. Veja os depoimentos a seguir:

O que é ser negro lbgt no Brasil? Para aqueles se amam e tem vida econômica estável deve maravilhoso, mas não é assim com a nossa maioria. A realidade é dura. Minha juventude foi nos anos 70 e naquela época já era complicado ser gay, lésbica ou travesti, mas ser LGBT negro era pior ainda e esse preconceito se estende até hoje. Acho que algumas coisas melhoraram de lá pra cá, mas é preciso ampliar a consciência, meu povo. Todos somos iguais! Percebo que há aquele preconceito que vem do próprio negro LGBT, que se manifesta de outras formas, como não acreditar em si próprio, ter crenças limitantes com a própria cor da pele e isso é uma grande estupidez. Vamos erguer a cabeça porque somos maravilhosos! Acredito que a união é a nossa maior arma para vencermos todos os preconceitos que envolvem o nosso meio LGBT. É preciso respeitarmos as diferenças entre nós mesmos, devemos ser colegas de verdade, darmos as mãos uns para os outros e sermos mais solidários. O negro lbgt é valente! Não podemos desistir dos nossos direitos e das nossas lutas. Devemos buscar pelo nosso espaço e garantir melhores oportunidades na vida.
Jane Alves
Jane Alves
63, São Paulo, SP, Artista Plástica
Todos aqueles que não se enquadram dentro do padrão heteronormativo branco, sofrem discriminação. O negro LGBT precisa lutar da mesma forma que outras minorias para ser reconhecido e valorizado. Como homem negro lbgt, entendo que, sexualmente falando, existe objetificação do homem negro com relação ao fetiche do negro dotado e ativo. Por outro lado, sinto que ainda existe rejeição pela cor da pele, inclusive de modo virtual por meio de aplicativos de relacionamento ou redes sociais. No âmbito profissional e educacional, entendo que o negro LGBT no Brasil precisa de oportunidades. Hoje, para o negro lbgt conseguir ascenção na carreira é necessário muito estudo e capacitação além da ruptura de preconceitos. É importante dizer que nem a cor e nem a orientação sexual interferem na capacidade de realização ou nas competências de uma pessoa. Vivemos uma luta diária na busca pela igualdade.
Luis Alberto
53, São Paulo, SP, Químico
Eu mato um leão por dia por ser negro gay e afeminado. Antes eu me importava com os olhares maldosos, mas hoje não mais. O preconceito que sofro é grande dentro e fora do universo LGBT. Mesmo no nosso meio existe uma cobrança do homem negro ter que ser ativo e dotado. Já fui confundido com criminosos apenas pela cor da minha pele. São muitos os olhares julgadores, mas hoje eu tiro de letra. Meu hábito é desarmar as pessoas com a minha boa educação. Precisamos aumentar a nossa representatividade em todas as áreas. Vejo que existe um movimento já em empresas, na publicidade, mas ainda há muito o que se fazer. Estamos engatinhando. Os negros precisam se unir e, inclusive, politicamente para eleger representantes da nossa raça. Individualmente, não sofro mais, quebro muitos preconceitos, inclusive a vida me presenteou com um companheiro excelente, sendo eu, o único negro numa familia tradicional gaúcha.
Clednei Cândido
38, Foz do Iguaçú, PR, Nutricionista
Fui ensinada desde cedo, como mulher, que o correto era estar com um homem e isso me fez esconder minha sexualidade por muito tempo, tanto por medo da reação da família quanto por temer que eu estava prestes a enfrentar no mundo ao me assumir. Vivemos no país que mais mata LGBTs no mundo, mas quando se é negro, sabemos que as chances são ainda maiores. É uma luta tripla, cansativa e diária ser negra, mulher e lésbica em nossa sociedade, onde o racismo, machismo e preconceito já está enraizado. Atualmente vejo diversas mulheres negras e LGBTs expressando seus sentimentos em músicas, livros, filmes e poesias, e dessa forma, elas nos ajudam a colocar essa pauta em destaque e nos fazer ser ouvidas, além de ajudar outras jovens mulheres e negras a entenderem sua sexualidade e negritude, assim como aconteceu comigo. É isso que precisa acontecer em nossa sociedade, da mesma forma que acontece dentro do movimento LGBT: escutar diferentes causas que necessitam de nossa luta. Dessa forma, apesar de toda a angústia gerada pelo preconceito, conseguiremos mostrar resistência e seguir juntos.
Amanda Anjos
23, Analista de Desenvolvimento de Vendas
Ser negro LBGT é ter que se mostrar melhor diariamente para não dar aos brancos o direito da tutelação. É mostrar que, para além do corpo objeto sexual (às vezes não confessável), há muitas outras qualidades que me definem.
César Gomes
58, Campinas,SP, Servidor Público e Membro Fundador Rede Afro LGBT
Ser negro e LGBT no Brasil é extremamente complicado, pois você acaba fazendo parte de duas 'minorias' que mais são discriminadas no Brasil. Eu mesmo, durante a época de escola, já sofri duplo preconceito, quando meus colegas de classe me zoavam me chamando de 'bixinha preta'. Tudo isso sempre foi extremamente difícil para mim. Apesar de tudo, acredito que o racismo não está ligado a questões de identidade de gênero, é questão de caráter mesmo, pois já sofri racismo de uma pessoa que faz parte da comunidade LGBT. Entendo que o racismo e a homofobia são formas de preconceito, mas são conceitos distintos. Na minha opinião, a maior dificuldade que enfrentamos é a questão da representatividade. Nossa imagem de LBGT negro é marginalizada. É difícil me sentir representado pela mídia. É difícil você olhar para uma pessoa na TV e se enxergar nela, a não ser nas páginas policiais, mas isso não é porque não somos capazes, pelo contrário, não temos oportunidades. Uma vez vi um discurso da atriz Viola Davis para o Emmy Internacional, onde ela diz que o que separa seu povo para os brancos é a oportunidade, e é isso que nos falta.
Emerson Alves Silva
23, São Paulo, SP, Assistente de Comunicação

Essa pauta não termina aqui. Você é o nosso convidado a dar sua opinião nos comentários. 


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