Duas notícias recentes debateram esse tema, que é cada vez mais comum entre os idosos.

A primeira diz respeito à senhora Maria Amparo Plaza, uma mulher espanhola que teria 78 anos hoje, que teve seu cadáver mumificado encontrado em sua residência 4 anos após a sua suposta morte. Durante todo esse tempo nenhuma pessoa se preocupou com sua ausência, e ela só foi achada porque um vizinho resolveu empurrar a sua janela com o cabo de uma vassoura.

Já a segunda também chocou o mundo. Em Janeiro desse ano a primeira ministra do Reino Unido, Theresa May, decidiu criar o Ministério da Solidão. Disse que essa é uma epidemia oculta dos tempos modernos e que mais de 9 milhões de britânicos, numa população de 65 milhões de pessoas, vivem permanentemente ou frequentemente sozinhas.

No caso dos idosos LGBT esses números são ainda mais alarmantes, uma vez que pesquisas mostram que eles tem maiores chances de morarem sozinhos, de não terem filhos e de não terem ninguém para chamar em caso de emergência.

Outras questões relacionadas ao envelhecimento também são determinantes para que o indivíduo se sinta sozinho, como a aposentadoria, o falecimento de um ente querido e mudanças de habitação, de renda e de saúde.

Fonte: Freepik

Mas então, o que é mesmo solidão? E por quê prestar atenção nela?

Primeiro vamos definir o seu conceito. Trata-se de um sentimento negativo e subjetivo, relacionado com a auto percepção da pessoa sobre deficiências nas relações sociais. Pode ser explicada por dois modelos, às vezes interrelacionados. Um baseado em fatores externos, como a falta de suporte social e de conexão com outras pessoas e outro relativo a fatores internos, como a própria personalidade e condições psicológicas.

E é fundamental debater sobre esse assunto, uma vez que ele pode impactar negativamente a saúde. Pode ser tão prejudicial quanto fumar 15 cigarros por dia, e também pode elevar a pressão arterial, o risco de doenças cardiovasculares, a chance de desenvolver a Doença de Alzheimer e a percepção sobre depressão e ansiedade.

E o que podemos fazer para combater esse mal?

Trazê-lo à tona já é um começo! Conseguiremos identificar os idosos em maior risco de serem solitários a partir da conscientização desse tema. Posteriormente, cabe à sociedade, aos serviços de saúde e aos governantes a implementação de soluções que possam se encaixar no perfil de cada um. Centros-dia, grupos de apoio, clubes sociais, grupos de atividade física e voluntariado são possíveis caminhos. Entretanto, caso a pessoa seja mais frágil e tenha dificuldades de sair de casa, programas de visitas domiciliares por voluntários ou de ligações telefônicas regulares já seriam um ponto de partida.

Sabemos então, que ainda há muito o que fazer. E esse trabalho é de todos!

Dr Milton Crenitte

Médico Geriatra

Voluntário ONG Eternamente SOU

Facebook:@drmiltongeriatra

Instagran:@miltoncrenittegeriatria


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *